Acesse o blog principal clicando na imagem

CLIQUE AQUI PARA RETORNAR À PÁGINA PRINCIPAL

VEJA OS DADOS EXTRAÍDOS DAS ENTREVISTAS COM MÉDICOS NA PESQUISA "AS FACES DA HOMOFOBIA NO SUS"

PESQUISA – “As faces da Homofobia no SUS” –02/2008 05/2009

Pesquisadora Principal e Assistente: Daniela Riva Knauth e Nádia Elisa Meinerz

Entrevistados 14 PROFISSIONAIS MÉDICOS em postos do SUS de Porto ALegre:


Médicos Entrevistados

Médicos Entrevistados
02-2008 a 05-2009

sábado, 27 de fevereiro de 2010

DADOS RELEVANTES RESULTANTES DAS ENTREVISTAS MÉDICAS

FORMAÇÃO E REFERÊNCIAS ACADÊMICAS
• Falta de formação acadêmica sobre sexualidade e sobre homossexualidade
• Citação da homossexualidade na cadeira de psiquiatria, formando um quadro insuficiente e pouco científico
• Existe uma tensão perceptível entre as reminiscências de um discurso cientificamente superado, centrado na noção da homossexualidade como distúrbio hormonal ou doença psíquica, e a necessidade de aderir a um discurso politicamente correto de não discriminação.
• Na ginecologia a formação é centrada no funcionamento sexual sem orientação para abordagem de pessoas com diversidade sexual.
• A abordagem da ginecologia nas questões da sexualidade está fixada nas demandas da heterossexualidade.
• A fata de referência acadêmica faz com que os médicos considerem suas experiências pessoais e de vida como principal orientadora da prática clínica com pacientes homossexuais
• Existe uma espécie de busca de "sensibilidade individual" para lidar com o tema da homossexualidade, sem preconceito, baseada nos relacionamentos com conhecidos e amigos.
• Ao contrário do que se imagina, profissionais com formação mais recente (menos de 10 anos) não apresentam diferenças do ponto de vista de formação acadêmica com os mais antigo no que diz respeito à sexualidade, ou seja, a formação não melhorou neste quesito nos anos mais recentes
• Dilema provocado pela necessidade social de adotar uma postura de não discriminar a homossexualidade, aceitando a diferença, e a falta de referenciais de conhecimento científicos sobre a sexualidade em geral e a homossexualidade em especial

Estes são resultados que precisamos tratar no campo da formação dos profissionais. Para isso, um “Protocolo de Atendimento Médico para a População Lésbica e de Mulheres que Fazem sexo com Mulheres” foi preparado pela Secretaria Municipal da Saúde, através da pasta da Saúde da Mulher, em conjunto com a Liga Brasileira de Lésbicas e a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do RS. Este protocolo dará origem a cursos de formação com os profissionais de saúde de Porto Alegre a partir de maio de 2010. Veja em http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/sms/usu_doc/protocolo_mulheres_lesbicas2.pdf
• Médicos se sentem despreparados e inseguros frente a um paciente homossexual, em especial aos que preferem a utilização de nomes sociais (travestis e transexuais);


Esta realidade não pode ser desconsiderada pelo profissional na hora de se preparar para o atendimento da população LGBTT (Lésbicas, Gays, Bi-sexuais, Travestis e Transexuais). O nome social é uma ferramenta de fortalecimento da identidade de gênero assumida pela paciente. Saber agir com naturalidade diante do estereótipo diverso e respeitar o direito do uso do nome social é fundamental para aumentar a confiança da paciente sobre a possibilidade de ser compreendida pelo profissional.
Este equívoco é fruto de puro preconceito. Assim como a heterossexualidade NÃO é uma OPÇÃO também a heterossexualidade NÃO O É, ainda que haja, sim, a opção por vivenciarmos de forma plena esta sexualidade. Trata-se de uma CONDIÇÃO individual, de cunho pessoal que precisa ser tratada com naturalidade. A opção está em assumirmos nossa sexualidade de forma plena, independente e livre das amarras sociais ditadas pelo equívoco da heteronormatividade.
• Compreensão do sofrimento causado pela discriminação, associadas a uma idéia de que muito homossexuais “se auto-discriminam”, não aceitando sua orientação sexual ou não tendo coragem para revelá-la publicamente.


Atribuir a “culpa” pela discriminação àquela ou àquele que é discriminado é punir a vítima pelo preconceito que sofre.
Esconder a opção sexual é uma forma de proteção adotada por pessoas que se sentem fragilizadas, oprimidas, ameaçadas até, pela possibilidade de perderem seus empregos, os amigos e, em muitos casos, o próprio amor da família, diante da quebra de expectativa pela “normalidade” ou padronização de comportamentos sexuais.
Pessoas que adotam o comportamento de esconder a sua sexualidade estão mais suscetíveis a problemas de pressão arterial alta, ansiedade, depressão e problemas psíquicos, ligados em muitas situações ao sofrimento causado pela necessidade de ocultar sua identidade sexual real.
Nestes casos os profissionais devem estar atentos às consequências que isso pode trazer, como o aumento do consumo de medicamentos, de álcool e de drogas em geral.
Em muitos casos será necessário buscar estes fatores de estress através do aumento da relação de confiança, buscando formas de abordar o tema diretamente, sem julgamentos ou juízo de valor acerca dos problemas levantados.
• Falta de distinção entre orientação sexual e identidade de gênero que leva a uma classificação de diferentes tipos ou matizes de homossexualidade: os que “lidam bem” com a homossexualidade e mantém uma expressão de gênero adequada, sendo respeitados na sua “opção” e os que “lidam mau” com a homossexualidade adotando uma identidade corporal do sexo oposto, causando rejeição e levando ao que é descrito por alguns profissionais como “mutilação do próprio corpo”, ou “transgressão da natureza”.• Caracterização forte da homossexualidade, pelos médicos, como uma opção pessoal e não como uma patologia, mas associada a uma característica orgânica (genética e/ou fisiológica)
Os profissionais de saúde devem estar atentos à existência de múltiplos estilos de indivíduos. É a isso que denominamos DVERSIDADE. A diversidade sexual precisa ser entendida para que as orientações condizentes com as práticas sexuais sejam passadas às pacientes.
ORIENTAÇÃO SEXUAL:
com quem a pessoa se relaciona afetiva e/ou sexualmente; a quem está dirigido o seu desejo. Podendo ser:
- Heterossexual – relacionamento afetivo/sexual apenas com pessoas do sexo oposto ao sexo biológico do indivíduo;
- Homossexual – relacionamento afetivo/sexual apenas com pessoas do mesmo sexo biológico do indivíduo;
- Bissexual – relacionamento afetivo/sexual com pessoas de ambos os sexos biológicos;
- Assexual – sem relacionamento afetivo/sexual – não sente atração sexual;
- Pansexual ou omnissexual – atração por múltiplos gêneros (aqui admitida a possibilidade da existência de mais de dois gêneros sexuais, como os intersexuais, ou hermafroditas) ou ainda a atração exclusiva por transgêneros.

IDENTIDADE DE GÊNERO:
como a pessoa se sente em relação ao seu corpo, como ela se vê nos papéis de gêneros existentes e que comportamento assume em relação a roupas, comportamentos e papéis sexuais.
- Exclusivamente Masculino
- Exclusivamente Feminino
- Oscilação entre masculino e feminino
- Transexual – busca ou já executou a troca de sexo
- Travesti – homem com comportamento feminino (existindo aqui várias categorias de travestismo).
Assim, o conceito de “lidar bem” ou “lidar mau” com a sua sexualidade, levantada na pesquisa em relação a pessoas com a chamada “inversão de comportamento sexual” demonstra uma desinformação dos profissionais com relação ao tema.
Acreditamos que seja possível a convivência social de pessoas com comportamentos de gênero diversos do sexo biológico e que isso não precisa ser motivo de aversão, rejeição ou preconceito, manifesto aqui de várias formas.
Também a inconformidade de alguns indivíduos com seu corpo biológico deve ser tratado e encaminhado para acompanhamento, existindo em Porto Alegre atendimentos de saúde especializados nesta população – como é o caso do Hospital de Clínicas de POA - e que já realizam com sucesso cirurgias de transsexualidade.
Não se pode desconsiderar que estas pacientes estão sujeitas a uma pressão social muito forte, causada pelo impacto que seu biótipo e a postura que adotam causa nas outras pessoas, em função da quebra de paradigmas das heterossexualidade compulsória existente hoje.
Cabe ao profissional de saúde acolher estas mulheres de forma adequada, prestando atenção à saúde integral de suas pacientes e prestando atenção especial aos fatores psico-sociais envolvidos na discriminação que sofrem diariamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário